Comunidade de Remanescentes Quilombolas Cachoeira Porteira - Floresta Amazonica - Norte do Pará - Oriximiná - Rio Trombetas. Volta de barco a Porto Trombetas - sabado.
O dia hoje foi pesado, sei lá, as vezes realmente parece que voce vai cair e chorar feito criança e não vai mais levantar, mais ainda assim penso que vale a pena. Eu deveria ter começado a escrever desde o primeiro dia, vacilei muito nisso, mais posso correr atras do prejuizo amanhã! Recebemos um presente: um dia de descanço, vai ser otimo para o choro entalado na minha garganta querer parar de subir. Sei que pode parecer muito idiota e choramingão isso, mais só estando aqui pra saber.
Sou uma pessoa comum, totalmente urbana e hoje vejo que tenho uma "vida fácil". Meu Deus, como esse mundo é totalmente diferente do meu! Que saudade dos meus vampiros, dos meus cachorros, DOS MEUS PAIS! dos amigos briguentos hehe.
Mais voltando ao mundo de agora, hoje eu vi tanta beleza, fiquei impressionada com um quilombola chamado Manoel, uma beleza negra inacreditavel, traços fortes e perfeitos. Queria ter tirado muitas fotos, de todos os angulos, mais diante de tudo resolvi respeitar a privacidade dele, dua cameras ligadas o tempo todo já era suficientemente invasor.
Queria ter sentado com ele e pedido pra me contar sua historia, eu devia ter feito isso.
Nossa, eu to tão cansada!
Dormir na rede não é ruim, só me incomoda agora o fato de termos dado carona pra gente demais no barco, o espaço esta minusculo e não dá pra pegar nenhuma bolachinha pra enganar a fome.
Saudade da lassie, meu coração aperta e as lagrimas enxem meus olhos cada vez que penso nela. Que saudade da minha neguinha!
Não consegui muito conversar com meus pais no telefone, me dava sempre vontade de chorar, e chorei! toda vez que desligava o telefone. Nunca me ausentei tanto pra tão longe.
Fico pensando nesse podo, eu não suportaria mais que 3 dias aqui, ou ate suportaria, mais estaria sempre no meu limite.
Hoje superei mais um medo, em relação a altura, não foi tão alto quanto na caverna, mais perigoso o suficiente pra me deixar tremendo. Ontem eu subi a rampa movel do barco e quase desisti de tudo e entrava em desespero só de pensar que em algum momento eu teria que desce-la. Hoje de manhã foi ate facil, a Bruna como sempre, me ajudou (ela é um amor e com certeza uma nova e grande amiga). Eu tinha que enfrentar mais esse medo e na volta consegui subir sozinha. Estavamos no meio de um conflito de terra entre quilombolas e uma aldeia indigena de nômades, acho que a coisa por lá vai ficar um pouco feia se o governo não der logo o termo de terra aos quilombos.
Mais é isso, to eu aqui nessa muvuquinha de barco, melhor ler um pouco e tentar dormir, a viagem é longa, mais amanhã descanço!
(Trechos de viagem...vou postando devagar e sem muita ordem de dias rsrs)
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